SÃO PAULO, SP – A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia e tornou réus 12 indivíduos suspeitos de envolvimento com o PCC (Primeiro Comando da Capital) nesta quinta-feira (27). As investigações foram impulsionadas pela delação de Antônio Vinicius Gritzbach, que foi assassinado em 2024 no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
O Ministério Público denunciou o grupo em 21 de fevereiro, acusando-os de lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública, como peculato e corrupção passiva.
Os promotores do Gaeco, a força-tarefa dedicada ao combate ao crime organizado, solicitaram não apenas condenações, mas também o confisco de R$ 40 milhões.
Entre os mencionados na denúncia estão delegados e policiais, incluindo Fábio Baena Martin, Alberto Pereira Matheus Junior e Eduardo Lopes Monteiro. Parte deste grupo foi citada na delação de Gritzbach, que, dias antes de sua morte, informou ser alvo de extorsão por parte dos policiais envolvidos.
O juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, responsável pela 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores, afirmou que este caso representa um dos maiores processos envolvendo o PCC até hoje.
“Não se trata, ao menos em tese, de uma mera organização criminosa. Este é provavelmente o maior processo contra pessoas ligadas ao PCC, uma facção que impõe terror à sociedade, especialmente em comunidades vulneráveis”, declarou o juiz.
O juiz também destacou a presença de indícios de que servidores públicos relacionados à segurança estariam colaborando com o PCC. “Aquilo que deveria ser uma força de combate à criminalidade está, na verdade, auxiliando-a”, alertou.
Os policiais também enfrentam uma investigação separada da Polícia Civil por suspeita de envolvimento em homicídio.
Além dos policiais, outros nomes que surgem na denúncia incluem o advogado Ahmed Hassan Saleh e os empresários Robinson Granger de Moura e Ademir Pereira de Andrade. Com exceção de Alberto Pereira Matheus Junior, todos estão presos desde dezembro.
Saleh é sócio da UPBus, firmada durante a operação Fim da Linha, que investigou ligações entre empresas de transporte municipal e o PCC. Os advogados de Gritzbach afirmam que Saleh teria oferecido R$ 3 milhões para eliminar o delator, que registrou uma conversa em que Saleh propõe o pagamento.
Mouras e Pereira de Andrade foram identificados como intermediários que ligaram Gritzbach a membros do PCC. Ambos enfrentam acusações de ocultar a verdadeira propriedade de imóveis adquiridos por Anselmo Becheli Santa Fausta, considerado um dos chefes do PCC até sua morte em 2021.
Gritzbach também foi identificado como mandante do assassinato de Santa Fausta, uma alegação que ele sempre negou. Os delegados Baena e outros policiais envolvidos no caso participaram da investigação. Gritzbach declarou que os policiais exigiam propina para livrá-lo das acusações e que ele havia prometido pagar R$ 15 milhões.
Além dos policiais, empresários e do advogado, Danielle Bezerra dos Santos foi acusada de lavagem de dinheiro e de integrar organização criminosa. Ela é descrita como esposa de Rogerio de Almeida Felício, um dos policiais listados, e teve sua prisão preventiva decretada.
DENUNCIADOS E ACUSAÇÕES
– Ademir Pereira de Andrade, empresário: usura, lavagem de dinheiro, organização criminosa
– Ahmed Hassan Saleh, advogado: tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, organização criminosa
– Eduardo Lopes Monteiro, policial civil: peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, associação criminosa, organização criminosa
– Fabio Baena Martin, delegado de polícia: peculato, associação criminosa, organização criminosa
– Marcelo Marques de Souza, policial: lavagem de dinheiro, organização criminosa
– Marcelo Roberto Ruggieri, policial civil: lavagem de dinheiro, organização criminosa
– Robinson Granger de Moura, empresário: lavagem de dinheiro, organização criminosa
– Rogerio de Almeida Felicio, policial civil: peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa
– Alberto Pereira Matheus Junior, delegado de polícia: lavagem de dinheiro, associação criminosa, corrupção passiva
– Danielle Bezerra dos Santos: lavagem de dinheiro, organização criminosa
– Valdenir Paulo de Almeida, policial civil: corrupção passiva, organização criminosa
– Valmir Pinheiro, policial civil: organização criminosa
A defesa de Saleh nega as acusações. “Ahmed Hassan Saleh refuta categoricamente todas as denúncias. Trata-se de uma tentativa de criminalizar o advogado devido a ações supostamente cometidas por seus clientes”, afirmam seus representantes legais.
Os advogados dos policiais Baena e Monteiro alegaram que a delação de Gritzbach é infundada e que a denúncia do Ministério Público carece de individualização e indícios consistentes. O advogado de Marcelo Marques de Souza declarou que contestará todas as alegações apresentadas.
ECNETNews não conseguiu contato com os defensores dos demais réus.